Em fevereiro de 2026, passando pelo aeroporto de Brasília - entre um vôo e outro - pensei em procurar um livro que já algum tempo estava a procura. Entrando numa livraria do aeroporto, procurei o tal livro, mas sem sucesso. Enquanto procurava, já sem esperança de encontrá-lo, vi a foto de um personagem, cravada na capa de uma obra, de fundo escuro. Era impossível não reconhecê-lo pelo semblante: cabelos desalinhados, um sorriso leve no rosto, um blusão também escuro e na mão esquerda um cachimbo. Era Albert Einstein.
Imediatamente, aquela capa me chamou a atenção. Desde muito jovem, eu já havia ouvido falar do grande físico, sinônimo de genialidade, que havia revolucionado a Ciência. Desde então, já, inclusive, havia lido alguns fragmentos de sua vida, mas tudo muito superficial movido apenas por uma curiosidade comum.
Chamei a atendente da livraria e pedi para que ela pegasse o livro para mim, pois estava situado numa prateleira alta, à esquerda. Ela pegou e me entregou o livro. Ao me entregar, vi que o livro tinha muito conteúdo: 654 páginas. Li rapidamente as "orelhas" do livro e pela primeira vez soube de alguns "segredos" do grande físico, como os "casos extraconjugais" que experimentou ao longo de sua vida. Era o tipo da informação que "não batia" com a biografia de um grande homem da Ciência. Não que os grandes gênios não cometessem os mesmos erros e as mesmas falhas dos "homens normais". Quando recolhemos alguns fragmentos da vida desses grandes mestres da humanidade, normalmente, nossa atenção é tomada pelos fatos que o conduziram à notoriedade. Einsten não era diferente. Os textos que abordam sua trajetória de vida, quase sempre ressaltam a Teoria da Relatividade, sem resgatar muitos detalhes de sua vida íntima.
Mas não apenas os relacionamentos extraconjungais me chamaram a atenção. Também o fato de Albert Einstein ter enfrentado dificuldades para concluir seu doutorado. Caramba! Como pode? Como uma mente brilhante poderia ter tido dificuldades para alcançar o grau de doutor? Pareceu-me um tanto paradoxal isso! Convenhamos: é mais difícil revolucionar a Ciência do que construir uma ideia inovadora, isolada e muitas vezes, sem muita aplicabilidade prática perante uma banca de 5 ou 7 integrantes. "Então Albert Einstein teve dificuldades em concluir seu doutorado" - Pensei comigo mesmo. Confesso que essa informação me chocou (no bom sentido do termo).
Mas também outras passagens de sua vida me chamaram a atenção: uma personalidade que questionava o conhecimento convencional, alguém que tinha um pensamento independente, autônomo e desejava fazer sempre as coisas à sua maneira, fugindo do convencional. Uma personalidade difícil para os padrões comuns que, não raras vezes, trouxe-lhe grandes dificuldades de relacionamentos em sala de aula (com seus professores) e também fora dela, a ponto de o próprio Einstein se vê isolado no mundo acadêmico sem possibilidade de conseguir o desejado posto de professor universitário por alguns longos anos de sua vida. Uma personalidade de pouquíssimos amigos, quase que solitária, mas não infeliz. Alguém que se deleitava em permanecer envolto com seus pensamentos e ideias sobre o universo, o tempo e o espaço. Alguém que "vivia no mundo da lua", mas não desconectado da realidade em sua volta. Muito pelo contrário. Alguém que iria assinar uma nova maneira de enxergar o universo, sem o uso de instrumentos, de laboratórios, de tubos de ensaio e coisas do gênero. Alguém que tinha uma imaginação extraordinária e completamente fora do comum. Que fazia "experimentos mentais" para testar suas hipóteses.
Um físico teórico por excelência.
Ao ler esses primeiros fragmentos da obra confesso que me apaixonei por ela. Foi amor à primeira "lida". "Quanto custa moça?" - gritei lá do fundo da livraria para a atendente, movido pelo desejo de levar aquela pérola para casa. Dirigi-me ao caixa, paguei o valor correspondente e coloquei em minha bagagem de mão.
Dali por diante comecei a descortinar a vida de Einstein. A cada página lida, a cada contato com biografia do grande gênio, eu fui sendo capturado por um Albert Einstein que eu não conhecia. Que eu jamais imaginaria que tivesse existindo. Dali por diante fui me aprofundando não apenas na mente de um grande personagem, mas, principalmente, no coração de um homem extremante simples, desapegado de bens materiais, um homem de coração doce, amável e cativante. Um homem que por muito tempo eu havia ouvido falar que não acreditava em Deus, mas que nas atitudes mais simples e insignificantes revelava uma ternura pelo Criador que, talvez, ele mesmo nunca pode traduzir ou perceber. Um homem determinado em fazer e realizar. Um homem marcado pelo sofrimento e que teve de dar aulas particulares para sobreviver e manter a própria família. Um homem ignorado por tudo e por todos, que só conseguiu, a muito custo, um emprego de terceira categoria no escritório de patentes de Berna. Algo que para a maioria poderia soar como humilhante, mas que para Einstein significava um emprego digno, honesto e que devia ser respeitado como qualquer outro. Um trabalho que conduzia com a mesma dedicação e apreço, comparável à mesma atenção que dispensava às estrelas e ao universo. Um trabalho que foi por muitos anos sua única fonte de renda, de vida e de manutenção. Um homem que não costumava reclamar das adversidades, dos problemas, dos obstáculos e, porque não dizer, da maldade das muitas pessoas que cruzaram seu caminho. Um homem até certo ponto ingênuo, mas que iluminou toda a humanidade e mudou a História da Física para sempre.
Sim, esse é Albert Einstein. Traços de uma personalidade que quase ninguém conhece e que eu decidi compartilhar aqui no meu Blog sob o título PÉROLAS DE ALBERT EINSTEIN.
O Livro "Einstein" é assinado por Walter Isaacson. Coincidentemente, eu já havia comprado uma outra Obra dele na qual relatava a biografia de Leonardo da Vici.
Isaacson é um biógrafo maravilhoso. Consegue, em detalhes, retratar o mais íntimo dos grandes personagens após rigorosos estudos sobre a vida pessoal de todos eles. Foi editor da revista Time. Atualmente, é professor de História na Universidade de Tulane. Além de Einstein e Da Vici, ele já escreveu sobre a biografia de Elon Musk e Steve Jobs.
Portanto, mais do que recomendo a leitura de suas obras. Vale muito a pena.
A capa do livro é essa:
Ele está disponível na Amazon: EINSTEIN
Todos os relatos aqui descritos foram recolhidos de sua Obra. Do mais simples, ao mais detalhado. Algumas vezes, fiz pequenas adaptações, mas sem fugir à rigorosa assinatura de Walter Isaacson. Irei publicá-los regularmente aqui neste espaço.
Cada relato irá retratar passagens da vida de Albert Einstein, muitas delas, como disse, desconhecidas do grande público. Trata-se de uma singela maneira de homenagear o talento de Isaacson e, ao mesmo tempo, compartilhar a intimidade de um gênio extraordinário que esteve um dia entre nós.
Cordiais Cumprimentos,
Prof. Alipio Reis Firmo Filho

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