segunda-feira, 2 de novembro de 2026

QUAL O SIGNIFICADO DE UM 'VOTO"?

Muitas pessoas no Brasil - e também espalhadas pelo mundo - ainda não sabem o significado de um voto numa eleição. Acham que o voto é cumprir uma obrigação legalmente imposta a todos pela legislação eleitoral. Acham que o ato de votar começa e se encerra no dia das eleições. Que após votar, retoma-se a vida normalmente, cuidando de seu afazeres. 

Não é bem por aí. 

VOTO É ALGO MUITO SÉRIO. Repito: MUITO SÉRIO. 

Quando você vota você está fazendo uma AFIRMAÇÃO. Melhor, você está DECLARANDO ALGO. 

Já parou para pensar nisso? Não? Vou refrescar sua memória.

Quando você vota você está dizendo que CONCORDA COM A FORMA QUE UM CANDIDATO A PRESIDENTE DA REPÚBLICA IRÁ GOVERNÁ-LO. 

Sabe o que ISSO SIGNIFICA? Tomemos como exemplo a última eleição para presidente da República.

Se você votou no candidato Lula para presidente você declarou que:

- Concorda com os juros altos na economia

- Concorda com a dívida pública nas alturas

- Concorda com a completa ausência de providências para coibir a violência nas cidades brasileiras

- Concorda com o domínio do narcotráfico em todos os quadrantes do País

- Concorda com a alta carga tributária brasileira

- Concorda com as péssimas condições da rodovia nacional

- Concorda com um sistema de saúde precário 

- Concorda com o sistema de ensino  deficiente e falido

- Concorda com o uso de políticas de transferências de renda usadas como massas de manobras e fins eleitoreiros

- Concorda com a ideologia de gênero (inclusive nas escolas)

- Concorda com a prática do abordo

- Concorda com a limitação de direitos fundamentais como a livre manifestação do pensamento

- Concorda com a opressão de quem se manifesta contrariamente ao atual governo

- Concorda com a corrupção que voltou a fazer parte do setor público brasileiro

- Concorda com as políticas internacionais que nos aproximam de governos ditatoriais

Enfim, votar significa que você concorda com tudo que esteja acontecendo e que tudo o que está acontecendo é bom para o País e para VOCÊ.

Eu pergunto: é essa mesma sua opinião? Você votou porque concorda mesmo com tudo isso? Se sua resposta for SIM eu só tenho a lamentar. 

Não votei no Flávio Bolsonaro. Votei porque discordo de tudo que está aí. Votei porque desejo um País de Primeiro Mundo. Votei porque vejo o Brasil com um potencial enorme, mas que morre de fome em meio a uma mesa farta. 

Como costumo dizer: não sou de Direita. Apoio quem apoia os valores que sempre apoiei. 


Alipio Reis Firmo Filho



SEM EMPRESÁRIOS NÃO HÁ ECONOMIA

Tenho testemunhado muitas injustiças neste País nos últimos anos. Uma das maiores delas foi o que aconteceu nas eleições para presidente: os eleitores do atual governo, quase que em sua totalidade, demonizaram os empresários nacionais. Muitos não pouparam adjetivos pejorativos. Falas sem meias palavras. Ditas "na lata". Eis alguns:

"Rentistas" ou "Especuladores": Crítica direcionada principalmente ao empresariado do setor financeiro e bancário, acusados de priorizar o lucro por meio de juros em detrimento da produção e da geração de empregos.

"Sonegadores": Utilizado em discursos que cobram maior tributação sobre grandes fortunas e criticam a evasão fiscal de corporações.

"Exploradores": Termo de tom ideológico tradicional, empregado para caracterizar empresários que defendem reformas trabalhistas flexibilizadoras ou que mantêm condições de trabalho consideradas precárias.

Um dos "elogios" mais comuns foi FASCISTA. Muitos, inclusive, sequer sabem o verdadeiro significado do termo. 

Pois bem. Por tudo o que foi dito, parece até que nós - a população em geral - não dependemos do empresariado nacional. Parece que somos autônomos. Independentes. Donos do próprio nariz.

Não é bem assim. Muito pelo contrário.

Já ouvi de uma conhecida - apaixonada pelo Lula - dizendo o seguinte: "mas os empresários também precisam dos funcionários".

Vamos aos fatos.

A vida de um empresário não é fácil. Desde quando ele decide empreender ele percorre um verdadeiro calvário. Se empreender já é uma tarefa difícil, empreender no Brasil mais ainda. 

É o empresário que assume os riscos. Você já parou para pensar nisso? Não? Então reflita sobre tudo isso que vou expor. 

No início de qualquer negócio só há gasto. Não há receita. 

No início de qualquer negócio a receita é incerta e só acontece depois de muitas semanas. Até lá, todos os custos correm por conta do empresário: despesas com água, telefone, luz, publicidade, compra de matérias primas, limpeza, conservação, segurança e muitas coisas mais. 

Quando um funcionário é contratado, ele assume uma posição muito confortável até: seu dinheiro certo no final do mês. A única coisa que ele deve fazer é trabalhar. Trabalhar, é preciso dizer, COM TODOS OS ELEMENTOS COLOCADOS EM SUAS MÃOS PELO EMPRESÁRIO. Pensemos num restaurante: a caneta, o bloco de notas, o avental, a roupa de um garçom e a bandeja são todos fornecidos pelo empresário. A comida que ele traz e coloca na mesa do cliente foi também preparada pelo dono do restaurante, por meio de uma cozinha montada por ele.   

Todos os ingredientes usados para que os pratos sejam feitos foram comprados pelo empresário. 

As mesas, as cadeiras, os pratos, os talheres, enfim, tudo que é usado pelos clientes são também fornecidos pelo empresário. NADA, absolutamente, NADA É DE RESPONSABILIDADE DO FUNCIONÁRIO. Se a comida não for boa, quem é responsável é o dono do restaurante e não o colaborador.

Vamos mais adiante.

O próprio governo é mantido pelos impostos pagos pelos empresários. Todos os benefícios sociais (bolsa alimentação, pé de meia, auxílio gás, bolsa universidade etc.) são também financiados pelos impostos pagos pelos empresários.

O salário dos servidores públicos - muitos deles também demonizaram o empresariado nacional - também é pago pelos impostos pagos pelos empresários. 

É muito fácil criticar o empresariado nacional. É cuspir no prato que come. 

Sem a concorrência do empresário, sem sua decisão de "eu vou empreender" nem governo, nem servidores públicos, muito menos funcionários existiriam. 

Vamos falar a verdade: TODOS COMEM NAS MÃOS DOS EMPRESÁRIOS. 

Até o dinheiro desviado por administrados públicos corruptos provém dos impostos pagos pelos empresários. 

Será que o empresariado nacional é tão ruim assim? Há alguma coisa de errado nesse discurso, você não acha?

Deveríamos RESPEITAR o empresariado. Sem ele NÃO SOBREVIVERÍAMOS. 

São os empresários do transporte, por exemplo, que fazem com que  o alimento que chega a sua mesa seja transportado de outro ponto do território nacional, distante milhares de quilômetros de você. Você, que grita aos quatro ventos criticando e demonizando os empresários, já parou para pensar nisso?

E se os empresários, de uma hora para a outra, cruzassem os braços e deixassem de produzir, você teria condições de conseguir seu próprio sustento? de pagar sua água, seu telefone, sua energia elétrica? Será que o hospital público onde você é atendido funcionaria regularmente sem o pagamento dos impostos pelos empresários?

Acho que é HORA DE CALÇARMOS AS SANDÁLIAS DA HUMILDADE e baixarmos a bola. 

Acho que é hora de NÃO FALARMOS TANTAS BABOZEIRAS. 

Acho que é hora de NÃO MISTURARMOS AS COISAS. 

Apenas para arrematar: sim, de fato os empresários dependem também de seus colaboradores. Muitas empresas não funcionariam sem a concorrência deles. Porém, um alerta precisa ser dito: com o avanço da inteligência artificial, MUITOS COLABORADORES ESTÃO SENDO SUBSTITUÍDOS PELAS MÁQUINAS. Já pararam para pensar nisso? 

Vou lhes dar um exemplo: em muitos shoppings espalhados pelo Brasil existiam quiosques onde os frequentadores pagavam seus estacionamentos. Eram pessoas que até então faziam o trabalho. Agora a coisa mudou. SÃO AS MÁQUINAS QUE REALIZAM TODAS OPERAÇÕES A PARTIR DE AUTO COMANDOS. Muitos levantam a bandeira da escala 5x2. Nesses quiosques o empresariado foi além: INAUGUROU A ESCALA 7 X 0. 

É como sempre digo: NUNCA BATA DE FRENTE COM UM EMPRESÁRIO. 

Sua capacidade de empreender é ILIMITADA.

Portanto: CALCE AS SANDÁLIAS DA HUMILDADE. RESPEITE O EMPRESARIADO NACIONAL. 

Alipio Reis Firmo Filho  

A "FUGA" DE FLÁVIO BOLSONARO

Desde que Flávio Bolsonaro deixou o País - diga-se, de passagem, de maneira cinematográfica fazendo inveja a James Bond, o famoso ator de 007 - muitas críticas têm se levantado contra ele Brasil afora. Críticas, diga-se de passagem, quase em sua totalidade, de quem votou na esquerda para presidente do País. 

Temos visto de tudo. Gente dizendo que ele é covarde. Que quem não deve não teme. Que deveria permanecer para se defender. Que sua "fuga"  representa o reconhecimento tácito de que ele tem "culpa no cartório", e por aí vai. Enfim, há críticas para todos os gostos e preferências. 

Porém, analisando os fatos de maneira apolítica, isto é, sem qualquer paixão político-partidária, a "Fuga" de Flávio nos remete a uma realidade muito maior. 

Coloquemo-nos em seu lugar. 

Não é segredo para ninguém que vivemos hoje num País cuja insegurança jurídica é brutal. Eu passaria uma vida toda aqui escrevendo para você que me lê apenas descrevendo situações absurdas, que, talvez, deixasse os maiores ditadores da História mundial de "queixo caído". As aberrações são inúmeras. Desde a aplicação de penas completamente desproporcionais ao ilícito cometido - como, no caso do 8 de janeiro - até a julgamentos divorciados de qualquer imparcialidade. Julgamentos em que o juiz é, ao mesmo tempo, julgador, acusador e vítima. 

Um País onde o devido processo legal tem sido repetidamente relativizado. A tônica do momento é: julgo de acordo com minhas preferências pessoais. Julgo conforme a sigla político-partidária. Julgo de acordo com o que penso, não importando se o que penso tenha ou não respaldo jurídico. Não interessa se "A" ou "B" tem razão ou não. Quem vai decidir sua sorte sou eu, da forma como eu bem entender. Isso me remete a uma frase nascida na Revolução Francesa:  L'État, c'est moi (o Estado sou eu).

Quando um sistema jurídico, aliado a um sistema político, chega a esse ponto é perigoso "bater de frente" com eles. 

O Estado é um grande "rolo compressor". Seu poder é imenso. Ele enxerga longe. Possui um grande poder de realização. Pode promover a vida ou sustentar a morte de qualquer de seus súditos. 

O Estado Democrático de Direito vem colocar travas nesse gigante que é o Estado. O verdadeiro sistema democrático procura "acorrentar" esse grande Titan, a fim de que ele deixasse de cometer excessos. Esse é o verdadeiro sentido de um Estado acorrentado por um sistema democrático. Se correntes existem, não é para amordaçar os súditos. Muito menos para condená-los sem prova. As correntes existem para equilibrar as relações entre um Estado todo poderoso e seus súditos, a fim de que eles não sejam aniquilados por quem age em nome do Estado. 

Sete minutos após a divulgação do resultado das urnas, Flávio Bolsonaro recebeu uma "visita" da Polícia Federal comunicando-lhe que ele deveria entregar seu  passaporte em 24 horas, juntamente com uma ordem de não deixar o País. Esse contexto nos remete a uma MEDIDA CAUTELAR e não a uma decisão judicial, após o exercício do contraditório, da ampla defesa pela parte e da oitiva prévia da Procuradoria da República.  

A determinação foi feita pelo Ministro Alexandre de Moraes. Segundo relatos da imprensa, a ordem de Moraes decorreu de uma fala do irmão de Flávio - Eduardo Bolsonaro - onde Eduardo disse: "se eu fosse o Flávio, eu deixaria o Brasil". Ou seja, em nenhum momento Eduardo pediu para Flávio deixar o País. Ele simplesmente apenas emitiu uma opinião pessoal. Ponto final. O que há de errado nisso? Também em nenhum momento Flávio disse que tinha a intenção de sair do País.

Contudo, a fala teve outro desdobramento: uma decisão baseada numa suposição. 

Veja a que ponto chegamos: na atualidade, muitos impulsos processuais estão sendo movidos por suposições. 

Quando cursei Direito há mais de duas décadas atrás, sempre aprendi que o manejo da norma jurídica deveria ser supervisionado pelas próprias regras jurídicas. O operador do direito (juíz, promotor, conselheiro de tribunais de contas) não deveria fazer a sua vontade, mas interpretar o desejo da norma jurídica nessa ou naquela situação. Ou seja, qualquer iniciativa no sentido de aplicar uma lei deveria ser esvaziada da opinião de seu operador. Assim como o administrador público, também o operador do direito não deve fazer o que deseja, mas somente o que o ordenamento jurídico autoriza. 

De uns anos para cá não é assim que temos testemunhado. 

Há excessos. Muitos excessos, aliás. Qualquer estudante de uma faculdade de Direito de quinta categoria não faria muito esforço para localizá-los. 

Eu mesmo, que agora manifesto minha opinião por meio desse veículo posso, inclusive, sofrer consequências. 

Veja a que ponto nós chegamos!!

A pergunta que não quer calar: você permaneceria num País onde a aplicação da norma jurídica tenha essas características? Para ficar mais claro: você permaneceria onde sentenças podem ser elaboradas antes mesmo do exercício do direito de defesa do réu? Eu vou falar por mim: NÃO. EU NÃO FICARIA. 

Que garantias eu teria? Olho ao meu redor e vejo muitas atrocidades. Olho ao meu redor e não vejo o devido processo legal presidir as relações entre as partes processuais (juiz, promotor, réu). Olho ao meu redor e sinto medo. Medo de ser condenado mesmo estando inocente (como, aliás, contam inúmeros relatos). 

Eu pergunto novamente: você permaneceria jogando um jogo assim? 

Volto a responder: eu não permaneceria. 

Muitos podem chamar isso de COVARDIA. 

Eu dou outro nome: PRUDÊNCIA. 


Alipio Reis Firmo Filho


   


domingo, 11 de outubro de 2026

ALEXANDRE DE MORAES NO BANCO DOS RÉUS?

A vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno, conjugada com a (já) maioria esmagadora da direita no Senado e na Câmara Federal, poderá conduzir Alexandre de Moraes ao banco dos réus e, se condenado, a um fato histórico: o primeiro membro do judiciário brasileiro a sofrer um processo de impeachment. Convenhamos, um título não muito honroso. Antes dele, somente dois presidentes do Brasil foram afastados por igual motivo: Fernando Collor (1992) e Dilma Rousseff (2016). 

A Lei do Impeachment - conhecida como lei dos crimes de responsabilidade - é de 1950: Lei nº 1.079. Ela defini os crimes de responsabilidade e respectivo processo para o presidente da República, seus Ministros, Ministros do STF e Procurador Geral da República. 

No entanto, nos últimos dias, cogitou-se um possível "acordo" para livrar a pele de Moraes e, por extensão, dos demais Ministros da Suprema Corte. Contra essa possível iniciativa levantaram-se vozes de peso da direita brasileira como o Deputado Nikolas Ferreira, o advogado Jeffrey Chiquini (eleito o deputado mais votado da história do Paraná), Van Hatten (eleito senador pelo Rio Grande do Sul), Deltan Dallagnol (eleito senador pelo Paraná, mas cuja candidatura depende de ser validada pelo TSE), Rogério Marinho, Coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro e Magno Malta (senador pelo Espírito Santo). Todos eles, a uma só voz, foram incisivos em afirmar que o impeachment de Moraes fará parte da agenda política do Congresso Nacional em 2027 logo no início da legislatura. Será, talvez, a primeira pauta.

Essa iniciativa tomou impulso com a recente decisão de Alexandre de Moraes de determinar a prisão de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio Bolsonaro. Essa decisão "azedou" ainda mais as relações entre ele (e, por extensão, do próprio STF) e a ala da direita no Brasil.  

Por outro lado, a imprensa brasileira, juntamente com alguns políticos, veem no possível impeachment de Moraes um ato de "vingança" da direita brasileira. É preciso que tenhamos cautelas quanto a essa afirmativa.

É importante destacar que desde a saída do ex-presidente Bolsonaro do Palácio do Planalto muita coisa aconteceu, culminando com sua prisão domiciliar, tornozeleira eletrônica e completa incomunicabilidade. 

O que se viu foi uma avalanche de acusações que mais pareciam sucessivos atos de vingança do que uma regular apuração de responsabilidades. Minha fala aqui não deve ser interpretada como movida por alguma simpatia pelo ex-presidente. De maneira alguma. Minha observação é como operador do direito e com base em tudo aquilo que aprendi na Ciência Jurídica. 

Foram inúmeros os vícios processuais: falta de impessoalidade expressa por meio de decisões cirurgicamente tomadas para atingir A ou B. Grave comprometimento dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Juiz que atua no processo, ora como julgador, ora como réu. Falta de imparcialidade. Decisões fundamentadas em meras suposições e não em fatos objetivos. Isso só para relacionar alguns. 

Já disse mais de uma vez nas minhas redes sociais e repito agora: quando um magistrado deixa sua cathedra para lutar no tatame pode-se chamar isso de qualquer coisa, menos de manifestação da jurisdição. 

Na verdade, não é de hoje que se tomam decisões questionáveis no âmbito da Suprema Corte. Há dezenas delas. Talvez, centenas. Assim, não se trata de um caso isolado. Mesmo em meio a essa enxurrada de decisões arbitrárias, sem nenhuma ou quase nenhuma conexão com a norma processual, ninguém falou em vingança ou em represália.  

Quando se fala em punir um Ministro da Suprema Corte logo se levantam críticas dizendo que se trata, agora sim, de represália. São, portanto, dois pesos e duas medidas. 

O que eu penso? Se Alexandre de Moraes sofre o impeachment não vejo como represália. Não há represália alguma. 

Na verdade, estamos reequilibrando as relações institucionais. Estamos prestigiando os sistemas de "freios e contrapesos", este último explicitamente previsto na Carta Constitucional. 

Os excessos do STF - anulando ou suspendendo decisões lícitas tomadas pelo Congresso Nacional - desequilibraram a relação entre os poderes Judiciário e Legislativo. A continuar assim, a Suprema Corte passa a manejar  competências que são reservadas do Congresso Nacional. A mesma crítica seria posta caso fosse o inverso. Portanto, a ordem e o reequilíbrio precisam ser restabelecidos urgentemente, sob pena de se deflagrar uma crise institucional sem precedentes. 

A prerrogativa do Senado está cristalizada no inciso II do art. 52 da CF de 1988:

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:

II processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade.  

Com efeito, um possível impeachement do Ministro Alexandre de Moraes nada mais será do que uma manifestação do sistema de "freios e contrapesos" cujo objetivo primeiro é recolocar as coisas nos seus devidos lugares.

É importante destacar, ainda, que o processo de impeachement já deveria ter sido apreciado pelo Senado da República. No entanto, seu presidente, Senador David Alcolumbre, sempre obstruiu o feito, impedindo que fosse restabelecido o necessário equilíbrio entre ambas as instituições. Essa obstrução gerou ainda mais atritos entre elas, com vantagens para o STF e desvantagens para o Congresso Nacional.

Aguardemos o desenrolar dos fatos. 

Alipio Reis Firmo Filho

Conselheiro Substituto - TCE/AM


 

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

PRESTAÇÃO DE CONTAS POR TÉRMINO DE GESTÃO: O QUE É?

 O inciso II do art. 11 da Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (Lei n. 2423/1996) assim dispõe:

Art. 11. As prestações e as tomadas de contas ou tomadas de contas especiais serão por:

I – exercício financeiro;

II – término de gestão, quando esta não coincidir com o exercício financeiro.

A questão é: qual a inteligência desse dispositivo?

No Brasil, por expressa disposição do art. 34 da Lei n. 4.320/64, o exercício financeiro coincidirá com o ano civil, isto é, seu início ocorrerá em 01 de janeiro e se prolongará até 31 de dezembro. É nesse período que se realizarão a gestão contábil, a gestão financeira, a gestão orçamentária, a gestão operacional e a gestão patrimonial, consoante determina o caput do art. 70 da Constituição Federal. Com o advento da Lei Complementar n. 101/2000 foi incorporada uma sexta modalidade de gestão dos negócios públicos: a gestão fiscal (art. 1º da referida Lei).

Portanto, é durante o exercício financeiro que o gestor público praticará todos os atos visando à boa e regular condução da gestão governamental.

De uma maneira geral, a gestão do aparato público se realiza ao longo de todo o ano financeiro. A expectativa é que cada ano tenha o seu gestor correspondente. Essa disposição é que inspirou o disposto  no inciso I do art. 11 outrora referido. Desta feita, cada gestor, após “fechar” o seu ciclo operacional, prestará contas ao tribunal de contas respectivo onde discriminará as receitas auferidas e as despesas aplicadas. A apresentação das contas ocorrerá no exercício financeiro subsequente.

No entanto, há inúmeros eventos que podem interromper o ciclo operacional da gestão ao longo do exercício financeiro, o que  resultará num ciclo de gestão mais curto que o habitual, isto é, inferior ao exercício financeiro.

Dentre esses eventos contam-se os eventos anômalos, isto é, aqueles que acarretam o fim da atividade do organismo governamental e, consequentemente, o fim de sua atividade gestora. Ex: a incorporação de um órgão por outro, a cisão de uma secretaria, a fusão entre duas autarquias e a pura e simples extinção de uma unidade governamental. Em qualquer desses casos o término da gestão decorre precipuamente do término da existência jurídica do próprio organismo. Em outras palavras, sempre que um desses eventos acontecem haverá, indubitavelmente, o desaparecimento do organismo governamental do mundo jurídico e, com ele, por corolário, também o fim de sua atividade gerencial. Uma coisa levará a outra.

No entanto, existe uma outra categoria de eventos que, muito embora determinarão o término da gestão, não decorrerão do término da atividade da unidade governamental. Um bom exemplo dessa categoria é quando um prefeito decide trocar o secretário de saúde por outro. Aqui a gestão (contábil, financeira, orçamentária, operacional, patrimonial e fiscal) é interrompida, mas a unidade governamental continuará existindo, porém, sob uma nova gestão (contábil, financeira, orçamentária, operacional, patrimonial e fiscal). Interrompe-se um ciclo e outro começará imediatamente, em decorrência do Princípio da continuidade na prestação dos serviços públicos. É possível, ainda, que o secretário de saúde deixe o cargo por sua livre e espontânea vontade. Há casos, ainda, que o próprio mandato presidencial encerre-se durante o exercício financeiro. Ou seja, tais mandatos não coincidem com o exercício financeiro. P. exemplo: o Procurador Geral de Justiça encerra seu ciclo de gestão no mês de outubro de um ano qualquer. Aqui também, como nas demais hipóteses, a gestão do Procurador Geral alcança seu termo.

Em síntese: algumas vezes o término da gestão decorre de eventos anômalos. Outras vezes, resulta da pura conveniência e oportunidade da autoridade máxima (prefeito, governador, presidente da República). Há, ainda situações que a gestão é interrompida por decisão pessoal do gestor de segundo ou terceiro escalão. Por fim, existem também as hipóteses em que o término da gestão decorre de disposições legais.

Aqui reside a importância do disposto no inciso II do art. 11 da Lei n. 2423/96. É para atender a essas situações que ele foi construído. 

Por força do Parágrafo Único do art. 70 da Constituição Federal, a prestação de contas é pessoal, isto é, ela é intuito personae:  prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária. O inciso I do art. 7º da Lei nº 2423/96 também adota essa disposição constitucional ao definir a “prestação de contas”: o procedimento pelo qual pessoa física (...) por final de gestão (...) prestará contas ao órgão competente da legalidade, legitimidade e economicidade da utilização dos recursos orçamentários, da fidelidade funcional e do programa de trabalho.

Portanto, quando um gestor assume um cargo público, o dever legal de gerir e prestar contas é atribuído à sua pessoa física (ao CPF do gestor), e não abstratamente ao órgão. O gestor atua em nome próprio no cumprimento desse dever constitucional, tornando a obrigação intransmissível a prepostos ou procuradores para fins de exoneração de culpa. Somente nos casos autorizados por lei essa responsabilidade é transferida para outra pessoa como, p. exemplo, quando o gestor falece. Nesse caso, seus sucessores é que receberão a responsabilidade de prestar as contas do De cujus.  Essa é a razão por que as multas e as glosas aplicadas pelos tribunais de contas alcançam a figura do gestor e não do órgão público onde ele atuou. Seu papel é de um síndico dos negócios públicos.

Ou seja, o ato de prestar contas cumpre um dever constitucional. Trata-se de um princípio sensível inserido no Corpo das normas constitucionais. Esse dever é tão caro ao legislador constituinte que, se não realizado, ele autoriza, inclusive, a intervenção da União nos estados e no Distrito Federal, mitigando ou suspendendo a própria autonomia desses entes federativos:

Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:

(...)

VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:

(...)

d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.

A prestação de contas por término de gestão, portanto, realiza um dos princípios  constitucionais mais importantes: o dever de prestar contas.  

No entanto, para além dos princípios e dispositivos legais aqui invocados, a prestação de contas por término de gestão é dotada de uma virtude que, para a maioria das pessoas, não é notada.

Admitamos que um secretário municipal deixe seu cargo por decisão pessoal no dia 15 de abril de um ano qualquer. Ele se despede de sua equipe de trabalho e vai cuidar de seus afazeres pessoais. Dois anos depois, contudo, ele é notificado pelo tribunal de contas sobre indícios de irregularidades em sua gestão. A fim de esclarecer o fato perante o órgão de controle, esse gestor terá que reunir alguns documentos. Algumas semanas depois de protocolar o pedido no órgão de origem recebe a informação de que os documentos que procura não existem. O atual gestor que, a propósito, sucedeu o gestor que o havia  sucedido há época, disse que após realizar os levantamentos não conseguiu encontrar os documentos requeridos. E ai? O que acontecerá em seguida? Muito provavelmente esse gestor poderá ser multado ou ter os recursos por ele geridos há época glosados pelo tribunal de contas.

Evidentemente, se o referido gestor fosse diligente, ele teria se orientado pelo disposto no inciso II do art. 11 e, há época de sua saída do órgão de origem, teria reunido toda a documentação que precisava, mediante a retirada de cópia da mesma  (ou sua digitalização) e prestado contas de sua gestão ao gestor que o sucedeu. Como prova, teria protocolada a prestação de contas. O protocolo certamente o ajudaria futuramente, caso fosse questionado não penas pelo tribunal de contas, mas também pelo ministério público ou qualquer outro órgão de controle. Tudo ficaria mais fácil.

Outra situação muito comum na vida pública envolve desafetos políticos. Ao deixar o cargo, não raras vezes, o gestor enfrenta grandes dificuldades para obter os documentos de que necessita para se defender perante os órgãos de controle. Tudo por força de algum gestor que, por questões político-partidárias, acaba se transformando numa pedra de tropeço para muitos outros gestores.

Nisto reside a virtude da exigência da prestação de contas por término de gestão contida no inciso II do art. 11 da Lei n. 2423/96. Ela não deve ser recebida como um encargo, mas como uma grande aliada. Ela, se realizada, poderá evitar grandes problemas no futuro.

É importante destacar, ainda, que deixar um cargo público sem prestar contas caracteriza omissão na prestação de contas. De acordo com o inciso I, do art. 22, da Lei n. 2423/96 (Lei Orgânica do TCE/AM), a omissão na prestação de contas poderá ensejar o julgamento pela irregularidade das contas de um gestor público. Além disso, a omissão pode caracterizar ato de improbidade administrativa do gestor faltoso, conforme definido no inciso VI, do art. 11, da Lei n. 8429/92. Com efeito, é salutar a prestação de contas por término de gestão, pois ela pode evitar inconvenientes no futuro. 

Por fim, ainda resta uma dúvida: a prestação de contas por término de gestão deve ser logo encaminhada ao respectivo tribunal de contas ou permanecer no órgão de origem, aguardando o final do exercício financeiro? A meu ver, isso dependerá de como cada tribunal de contas regulamentará essa modalidade de prestação de contas. Ambas as soluções são igualmente legítimas no meu entendimento.

Uma possível solução seria determinar que tais prestações de contas fossem encaminhadas imediatamente ao tribunal de contas se a saída do gestor ocorresse, p. exemplo, no primeiro semestre do ano. Caso, entretanto, o fato se desse no segundo semestre, a prestação de contas aguardaria o término do exercício para, no ano subsequente, ser enviada ao órgão de controle.

No entanto, trata-se de uma decisão de foro íntimo de cada tribunal de contas. O mais importante é que essa importante modalidade de prestação de contas não permaneça no esquecimento.

 

Alipio Reis Firmo Filho

Conselheiro Substituto – TCE/AM

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

ELEIÇÃO OU REFERENDO?

Segundo a Carta Magna, o voto corresponde ao instrumento por meio do qual a soberania popular é exercida. Ele está previsto no caput do art. 14 da Constituição Federal.  

O ordenamento jurídico-constitucional brasileiro reconhece 4 modalidades de participação do cidadão nos negócios do Estado: a eleição, o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular. 

Por meio da eleição, os cidadãos escolhem seus representantes políticos. Através do plebiscito e do referendo esses mesmos cidadãos respondem a consultas diretas sobre temas específicos. A diferença entre o plebiscito e o referendo é que, no plebiscito, os cidadãos opinam sobre uma proposta de criação de uma lei ou sobre um ato administrativo. Na nossa História política mais recente (1993), ainda é memorável a consulta à população sobre qual forma e sistema de governo o País deveria adotar (República/Monarquia e Presidencialismo/Parlamentarismo). 

Já no referendo, embora o cidadão seja também chamado a opinar, ele manifesta sua opinião sobre uma lei já aprovada. Se decidir acolhê-la, ele ratifica a lei elaborada. Se, ao contrário, opinar por sua rejeição, ela deixará de existir. Em 2005 houve uma discussão dessa natureza sobre o Estatuto do Desarmamento. Naquela oportunidade, o cidadão foi chamado a opinar se concordava ou não com a comercialização das armas de fogo. 

A iniciativa popular, por sua vez, é o instrumento democrático que permite aos cidadãos apresentarem projetos de lei diretamente ao Poder Legislativo, sem a intermediação de parlamentares. Portanto, as iniciativas populares têm natureza diversa da eleição, do plebiscito e do referendo. 

A manifestação da vontade popular em qualquer desses três institutos é realizada por meio do voto. 

Daqui a mais algumas semanas estaremos mais uma vez diante das urnas, para escolhermos nossos representantes para as casas legislativas federal e estaduais. Também votaremos para presidente da República e Governador. 

Aqui, precisamente aqui, está o núcleo deste singelo manuscrito. 

Já há algum tempo tenho refletido sobre a real natureza de uma eleição. Não seria ela um referendo? Ou será se realmente se trata de uma eleição. 

A clássica afirmação de que, nós, cidadãos, escolhemos nossos representantes nas eleições, para mim, deve ser recebida com reservas. E por que digo isso? Muito simples.

Pense um pouquinho comigo. 

No fundo, não há escolha nenhuma. Há, sim, um grande referendo. Como assim?

As "eleições" ocorreram no mês passado por ocasião da realização das convenções partidárias. Como é de conhecimento de todos, são nas convenções partidárias que os partidos políticos escolhem seus candidatos para os próximas eleições. Tais candidatos são, na verdade, seus legítimos representantes.  

Nas "eleições", aquelas que acontecem no mês de outubro, nós, cidadãos, somos apenas chamados a referendar este ou aquele candidato que foram legitimamente escolhido por um partido político. Já parou para pensar nisso? 

Não. Não temos verdadeiras eleições. Temos, sim, verdadeiros referendos. Somos nós que referendamos (ou não) os nomes sugeridos pelos partidos políticos. Os candidatos são deles, não nossos. Nunca é demais destacar que a característica principal de um referendo é a existência de uma margem estreita de escolha. Escolhe-se se as armas de fogo serão ou não comercializadas. No fundo, não há muita margem para opinar. A escolha é rasa. Superficial. Limitada. 

A partir desse raciocínio, alguns corolários são passíveis de serem extraídos. 

Um deles é o seguinte.

Em época de "eleição", como estamos vivenciando agora, é muito comum ouvirmos nas rádios, redes sociais e meios televisivos a seguinte afirmação: "preste muita atenção em quem você irá votar. Ao escolher seus candidatos, procure saber mais sobre ele. O que já fez e o que deixou de fazer. Seu passado. Seu compromisso com as necessidades coletivas". 

Pois bem. Esse tipo de discurso é muito bonito. Há uma retórica magnífica por trás dele. Porém, existe também - é preciso dizer - um grande vazio. Ela encerra pouco ou nenhum conteúdo. 

Ainda que adotemos essa postura crítica, ela não nos garantirá muita coisa. Não será muito útil. Pelo menos para os fins pretendidos que é inspirar no eleitor um espírito cívico. 

Como vou refinar minha escolha se, entre todos os candidatos que me são ofertados, nenhum deles reuni o perfil por mim desejado? E se forem colocados diante de mim três candidatos: um corrupto contumaz, outro que enfileira atrás de si uma ficha processual gigantesca e um terceiro que, muito embora tenha experiência na gestão pública, só buscou a realização dos próprios interesses? Diante dessas escolhas, como ser diligente? como exercer o espírito cívico? Como escolher o melhor candidato? Respondo: não há condição alguma. Todas as opções são igualmente inválidas. 

Pior: o voto é obrigatório. Não há alternativa. Ou vota ou vota. Alguém poderia argumentar: mas há a opção do voto em branco ou do voto nulo. Eu respondo mais uma vez: essas soluções não se conformam com uma verdadeira democracia. Para mim, representam saídas anti-republicanas. 

O correto seria contarmos com uma terceira via: não votar. Até porque não estamos escolhendo ninguém. Estamos referendando as escolhas dos partidos políticos.  

É por isso que tenho minhas dúvidas sobre a verdadeira utilidade dos partidos políticos. Na minha humilde opinião são eles, no fundo, os verdadeiros donos do poder. São eles que realizam e conduzem as verdadeiras eleições. São eles que escolhem seus candidatos e os colocam à nossa disposição para referendamos suas escolhas. 

Você já viu ou ouviu algo assim: o partido "X" ameaçou expulsar o deputado/senador/vereador "Y" por não ter votado de acordo com suas diretrizes. 

Taí um retrato fiel do que acabo de dizer. 

O candidato eleito não é livre para manifestar sua própria vontade. Aliás, até pode ser livre, mas desde que sua vontade não colida com a vontade de seu partido. Quando algo sai do controle, acende-se a luz amarela (ou a luz vermelha).

Em síntese: nós, eleitores, somos apenas meros figurantes no tabuleiro eleitoral. 

Alipio Reis Firmo Filho

Conselheiro Substituto - TCE/AM 

 




quinta-feira, 10 de setembro de 2026

EXERCÍCIO - CONTABILIDADE PÚBLICA PATRIMONIAL - CONTABILIZAÇÃO

 

Postei aqui no Blog um texto onde tratei da contabilização de fatos de natureza patrimonial decorrentes da execução da despesa governamental (CONTABILIDADE PÚBLICA PATRIMONIAL: registros contábeis decorrentes da execução da despesa orçamentária). Para fins de fixação dos conceitos ali descritos, envio um exercício onde são abordados os registros contábeis descritos no texto. 

Bons estudos!!


Prof. Alipio Filho


Exercício Prático: Lançamentos Patrimoniais da Despesa Pública


Contexto: A Prefeitura Municipal "Progresso D'Oeste" realizou diversas operações durante o mês de encerramento do exercício financeiro. O departamento de contabilidade precisa efetuar os registros contábeis adequados para cada situação, focando exclusivamente na Natureza de Informação Patrimonial.

Com base nos estágios da despesa pública e no Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP), analise os fatos a seguir e registre os lançamentos de débito (D) e crédito (C) correspondentes à fase de liquidação de cada despesa.

Fatos Contábeis (Fase de Liquidação):

Questão 1 - Aquisição de Serviço: A Prefeitura contratou uma empresa de consultoria contábil para revisar as demonstrações financeiras do ano anterior. O serviço foi totalmente prestado e a nota fiscal no valor de R$ 15.000,00 foi devidamente atestada pelo fiscal do contrato. Faça o lançamento patrimonial desta liquidação.

Questão 2 - Aquisição de Bem de Consumo (Estocado): Visando abastecer as secretarias para o próximo semestre, a Prefeitura adquiriu 5.000 resmas de papel ofício. O material foi entregue pelo fornecedor no Almoxarifado Central, atestado e devidamente guardado (estocado) para uso futuro. O valor total da nota fiscal é de R$ 100.000,00. Faça o lançamento patrimonial desta liquidação.

Questão 3 - Aquisição de Bem de Consumo (Não Estocado / Consumo Imediato): Para atender a uma demanda urgente de um evento de saúde pública na praça central, a Prefeitura comprou 20 galões de água mineral e 50 pacotes de copos descartáveis. O material foi entregue diretamente no local do evento e consumido imediatamente no mesmo dia. A nota fiscal totalizou R$ 800,00 e foi atestada. Faça o lançamento patrimonial desta liquidação.

Questão 4 - Aquisição de Bem Permanente: A Secretaria de Educação adquiriu um lote de novos computadores (bens de informática) para equipar os laboratórios das escolas municipais. Os equipamentos foram entregues, atestados, tombados e já estão à disposição do município. O valor total da aquisição foi de R$ 250.000,00. Faça o lançamento patrimonial desta liquidação.

Questão 5 - Aquisição de Imóvel: A Prefeitura adquiriu um terreno localizado na zona rural do município com o objetivo de construir, futuramente, uma nova escola agrícola. A escritura foi passada e o bem foi recebido e atestado pelo setor de patrimônio. O valor da aquisição foi de R$ 500.000,00. Faça o lançamento patrimonial desta liquidação.

📝 GABARITO (RESOLUÇÃO)

Lançamentos de Natureza Patrimonial (Liquidação da Despesa)

Lembre-se: No enfoque patrimonial, o reconhecimento do aumento do passivo e da variação patrimonial diminutiva (se houver) ou a incorporação do ativo ocorre no estágio da liquidação (fase em que o bem é entregue ou o serviço é prestado).

Questão 1 - Aquisição de Serviço (Consultoria)

  • Justificativa: Serviços prestados geram uma despesa imediata (VPD) e uma obrigação a pagar.
  • D – 3.3.2.3.1.01.00 Consultoria e Assessoria (R$ 15.000,00)
  • C – 2.1.3.1.1.03.00 Contas a Pagar – Credores Nacionais (R$ 15.000,00)

Questão 2 - Aquisição de Bem de Consumo (Estocado)

  • Justificativa: Como o bem foi para o almoxarifado, ele representa um direito da prefeitura (Ativo), não gerando VPD neste momento, mas sim uma obrigação a pagar.
  • D – 1.1.5.0.0.00.00 Estoques (R$ 100.000,00)
  • C – 2.1.3.1.1.03.00 Contas a Pagar – Credores Nacionais (R$ 100.000,00)

Questão 3 - Aquisição de Bem de Consumo (Não Estocado / Consumo Imediato)

  • Justificativa: Bens de consumo imediato não transitam pelo estoque. São reconhecidos diretamente como despesa (VPD). (Nota: Embora não haja uma conta específica detalhada para água/copos no plano resumido, usa-se a rubrica geral pertinente, que neste caso se enquadra na classe 3 de serviços ou materiais, mas como o plano é reduzido, usa-se a regra geral para VPD). Para efeitos do plano fornecido, usaremos uma conta análoga da classe 3 ou a conta de controle se o plano for estrito. Assumindo a regra geral descrita no seu texto (VPD):
  • D – 3.X.X.X.X.XX.XX Conta de Variação Patrimonial Diminutiva [Ex: Material de Consumo] (R$ 800,00)
  • C – 2.1.3.1.1.03.00 Contas a Pagar – Credores Nacionais (R$ 800,00)

Questão 4 - Aquisição de Bem Permanente (Bens de Informática)

  • Justificativa: Bens permanentes são incorporados ao Ativo Não Circulante do município, gerando uma obrigação a pagar.
  • D – 1.2.3.1.1.02.00 Bens de Informática (R$ 250.000,00)
  • C – 2.1.3.1.1.03.00 Contas a Pagar – Credores Nacionais (R$ 250.000,00)

Questão 5 - Aquisição de Imóvel (Terreno)

  • Justificativa: A aquisição de imóveis é a incorporação de um bem ao Ativo Não Circulante, gerando a correspondente obrigação a pagar.
  • D – 1.2.3.2.1.01.04 Terrenos (R$ 500.000,00)
  • C – 2.1.3.1.1.03.00 Contas a Pagar – Credores Nacionais (R$ 500.000,00)