quarta-feira, 13 de julho de 2011

EFEITO DOS JUROS BAIXOS (NUMA ECONOMIA)

O texto a seguir foi publicado no jornal "A Crítica" aqui de meu Estado em 11 de maio de 2009. Foi escrito por Renilson Silva. Apesar da complexidade do tema, o autor o aborda de forma simples e objetiva. Por isso, estou compartilhando-o com vocês. Boa leitura!!

Na última reunião do Comitê  de Política Monetária (Copom), a taxa básica de juros da econo­mia, a Selic, foi reduzida para 10,25% ao ano, o menor nível histórico. Isso tirou também a primeira colocação do Brasil como o país da taxa real de ju­ros mais alta do mundo. Como sempre, houve muita "chora­deira" de vários setores da eco­nomia, afirmando que a redu­ção poderia ser mais agressiva. Nesse aspecto, mesmo que a taxa chegasse a zero, ainda haveria reclamações. Impor­tante é entender o que essa re­dução significa para economia, em particular, no momento de crise pelo qual estamos atra­vessando. As razões da queda são os fundamentos da econo­mia. A inflação medida pelo ín­dice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 0,55% em fevereiro, para 0,20% em mar­ço. A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), isto é, o crescimento da econo­mia para 2009, foi reduzido de 3,5% para 2% e, para piorar o cenário, o nível de desempregos já atinge 9% da população economicamente ativa.

SETORES CHAVES = são aqueles que promovem efeitos encadeados para frente e para trás. Por exem­plo, a construção de rodo­vias estimula a produção de matéria-prima como o pe­tróleo, ao mesmo tempo, es­timula a produção de bens finais, como máquinas.
JUROS E ECONOMIA

Esses indicadores regem a eco­nomia de um país. Se eles estão ruins, o Governo precisa agir rá­pido e evitar um possível agra­vamento. È isso tem sido feito, e a taxa básica de juros da econo­mia é o primeiro instrumento para tal fim. Ao reduzir os juros, o Governo estimula o crédito, tanto às pessoas físicas quanto às jurídicas. Para o consumidor, as prestações da geladeira, do som etc. ficam mais suaves, esti­mulando o consumo. O aumento do consumo eleva a produção e, assim, as empresas podem bus-
car financiamento para atender à demanda com juros menores. Esse ciclo promove o aumen­to do nível de emprego. No âmbi­to do mercado financeiro, a redu­ção dos juros desestimula inves­timentos em títulos da dívida pú­blica. Isso causa uma sobra no caixa dos bancos que procuram maior rentabilidade investindo nas bolsas de valores e disponibilizando mais crédito às empre­sas e ao consumidor. E assim fe­cha o ciclo que se retroalimenta.

“Estima-se que cada ponto percentual de redução dos juros represente uma economia de até US$ 15 bi na dívida”

Segundo estimativas de merca­do, cada ponto percentual de re­dução na taxa de juros represen­ta uma economia de aproxima­damente 15 bilhões de dólares no pagamento da dívida pública.

“A redução da dívida pública pode ser convertida em investimentos nos setores chaves da economia”
O processo é o seguinte: o Gover­no precisa de dinheiro para sal­dar compromissos, investimen­tos etc, logo, poderia emitir papel-moeda com esse fim, mas is­so gera inflação. Assim, vende títulos no mercado financeiro com uma determinada data de vencimento, pagando, de juros, o percentual da Selic. Então, se um título vale R$ 1.200,00 com vencimento daqui a três anos a uma taxa de juros de 11,25% ao ano, o Governo teria que pagar ao comprador do título o equiva­lente a R$ 1.652,00. Com a redução dos juros para 10,25%, esse va­lor seria de R$ 1.608,00, isto é, R$ 44,00 a menos por cada título emiti­do. Agora, multiplique esse va­lor por milhões de títulos e você entenderá a magnitude da redu­ção dos juros e economia para os cofres públicos.

VANTAGENS

No momento do resgate dos tí­tulos, o Governo usa o dinheiro da venda de outros títulos para saldar compromissos e assim vai rolando a dívida. A economia gerada com a redução dos juros pode ser convertida em investimentos em infraestrutura. Esses investimentos são a construção de estradas, por­tos, ferrovias etc. que gera mais e mais empregos, pois estes setores são considera­dos como chaves na economia, isto é, estimula uma cadeia de investimentos, como a indús­tria do aço, petróleo, máqui­nas e equipamentos e mais uma infinidade de outros seto­res. O lado ruim, pelo menos para o Governo, é que o corte nos juros reduz a captação de dinheiro, mas isso é claramen­te compensado pela redução da dívida pública. Para as em­presas, o lado ruim é que ocor­re perda das receitas financei­ras, como por exemplo, juros de títulos comprados do Go­verno. A vantagem é que ago­ra o consumo deve aumentar e assim as empresas podem captar recursos com juros me­nores e investir na própria produção. Por enquanto, o maior problema pode ser um risco de inadimplência e tal­vez até mesmo uma subida da inflação, mas isso pode ser discutido na próxima semana.