domingo, 15 de janeiro de 2017

MOMENTOS

Quantas vezes estive perto de ti...  

Repetidas vezes senti o teu perfume.

Tantas vezes conversamos em noites solitárias onde a madrugada era a nossa única companheira.

Inúmeras vezes compartilhamos o mesmo cardápio. A mesma bebida. As mesmas preferências.

Já perdi a conta das confidências trocadas. Dos segredos descritos. Das aventuras contadas.    

Não me recordo mais das vezes que meus dedos te procuraram por sobre as letras de algum teclado. Só pra te encontrar.

Falta-me memória do número dos abraços trocados. Porque foram tantos!

Por mais que me esforce, jamais saberei quantas vezes minha mão se entrelaçou com a tua.   

Não guardo mais as visitas feitas no teu álbum de fotografias. Só sei que foram inúmeras!   

Impossível quantificar o número de mensagens trocadas. Foram tantas!

Também não dá pra resgatar o tempo gasto ao telefone. Não tenho memória para tanto!

Todas essas coisas marcam a vida de um homem. Também de uma mulher.

O amor humano é egoísta. Não aceita divisões. Por isso é imperfeito. Mas de sua imperfeição nasce justamente a sua beleza. Por mais estranho que isso possa parecer.

A perfeição, nesse caso, estragaria tudo. Não seria bem-vinda. Porque colocaria tudo a perder.

Traduziria apenas um sentimento frio. Insensível. Gélido.   

Não. O amor humano não funciona assim. Ele protesta. Ele reclama. Ele esbraveja. Ele deixa tudo desarrumado. 

Numa palavra: ele luta por aquilo que foi construído e inspirado em cada MOMENTO compartilhado na companhia do outro.